IML identifica mais da metade dos mortos em megaoperação no Rio

Por Redação UOL 30/10/2025 - 09:06 hs
Foto: Edu Carvalho/Colunista de Ecoa
IML identifica mais da metade dos mortos em megaoperação no Rio
Moradores do Complexo da Penha observam corpos enfileirados e que foram encontrados após operação

Mais da metade dos corpos dos 117 suspeitos mortos na megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, já foram identificados. Necropsias são realizadas no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto, no Centro do Rio.

Parte deles foi liberada para a retirada pelas famílias. A Polícia Civil não informou, porém, quantos, nem deu detalhes de nomes e idades das vítimas.

IML do Rio foi fechado para receber somente os corpos das vítimas da operação. Segundo a PCERJ, todos os outros corpos que precisarem passar por necropsia no Rio serão levados para o IML de Niterói.

Até o início da noite de quarta, seis haviam sido liberados, segundo a Defensoria Pública. Ontem, familiares estiveram no local para buscar informações e realizar reconhecimento das vítimas. Parentes precisam se cadastrar antes de serem autorizadas a fazer o reconhecimento. O cadastro é feito no Detran do Rio, localizado ao lado do necrotério, antes do reconhecimento oficial.

O IML é o órgão técnico responsável por analisar todos os cadáveres da operação. A partir da análise, elabora laudos detalhando o estado dos corpos e possíveis causas das mortes.

Contagem oficial de corpos só foi atualizada após moradores de comunidades afetadas recuperarem e enfileirarem os corpos nas ruas. O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que ainda não há um balanço definitivo de mortos, pois o número oficial só é contabilizado quando os corpos dão entrada no Instituto Médico-Legal (IML) ou em hospitais públicos, o que pode ainda não ter ocorrido em alguns casos.

Operação mais letal da história

Operação deixou 121 mortos e prendeu 113 pessoas, segundo balanço divulgado pela polícia. Entre as vítimas há quatro policiais. Esta se tornou a ação policial mais letal da história do Brasil, ultrapassando o massacre do Carandiru, que deixou 111 presos mortos.

Ao menos 70 corpos foram recuperados por moradores no Complexo da Penha, na Zona Norte, entre a noite de terça e a manhã de quarta-feira. Eles alegaram que tentaram ir até a região do confronto ontem, mas que foram impedidos pela polícia. No local, a reportagem encontrou marcas de sangue, estojos de balas disparadas, objetos pessoais, como uma capa de celular, e uma camisa de time com furo de bala.

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